O PÉ DE MANGA DA FAZENDA SÃO JOÃO
Há mais de cem anos,
ele permanece ali,
silencioso e majestoso,
como quem nasceu para guardar
o que o tempo jamais conseguiu apagar.
No coração da Fazenda São João,
terra dos meus avós,
ergue-se o velho pé de manga,
testemunha viva de uma história
que atravessa gerações.
Debaixo de sua sombra
passaram crianças,
passaram sonhos,
passaram risos e brincadeiras...
Passamos nós:
eu, meus irmãos,
meu pai, meus tios,
meus primos,
tantos rostos,
tantas histórias,
tantos momentos
que hoje moram apenas
nas gavetas da memória.
Suas raízes, profundas,
parecem guardar segredos
de um tempo que não volta.
E seus galhos,
estendidos para o céu,
continuam contemplando a vida,
como quem conhece
cada capítulo
da história dos Garcia.
Ele viu crianças crescerem,
viu famílias se multiplicarem,
viu o mundo se transformar.
Viu chegadas,
viu partidas,
viu abraços,
viu despedidas...
E permaneceu.
Firme.
Silencioso.
Majestoso.
Como uma sentinela do tempo,
guardando entre suas folhas
a lembrança daqueles
que um dia fizeram da Fazenda São João
um lugar de encontros,
de pertencimento
e de amor.
Mais que um pé de manga,
ele é memória.
É raiz.
É história.
É saudade.
É pertencimento.
E quando olho para essa árvore,
sinto que, de alguma maneira,
todos ainda estão ali:
meus irmãos,
meu pai,
meus avós,
meus tios,
meus primos
e tantos outros
que fizeram parte dessa história.
Eternizados entre suas folhas,
abraçados pelos seus galhos,
guardados por suas raízes.
O tempo passou.
A família cresceu.
A vida mudou.
Alguns partiram,
outros chegaram,
e novos capítulos foram escritos.
Mas o velho pé de manga
continua lá...
De pé.
Resistindo ao tempo.
Guardando em silêncio
as vozes, os risos,
os encontros e as lembranças
de tantas gerações.
E talvez seja esse
o seu maior legado:
lembrar-nos de que
algumas histórias não terminam.
Elas criam raízes.
Florescem na memória.
E permanecem vivas
para sempre.
Ali, na Fazenda São João,
sob a sombra do velho pé de manga,
a história dos GARCIA
continua viva.
Porque enquanto houver memória,
haverá história.
E enquanto houver raízes,
ninguém estará verdadeiramente ausente.
0 Comentários